
Como parte das ações do Março Mulher do Governo do Estado, foi realizada, nessa terça-feira (17), uma programação especial no Conjunto Penal Feminino de Salvador. A iniciativa foi promovida de forma integrada pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP) e pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado (SPM).
A atividade teve como objetivo fortalecer ações de valorização das mulheres privadas de liberdade, por meio de iniciativas voltadas à reflexão, promoção da autoestima, orientação e informações sobre acesso a direitos.
A programação contemplou ação educativa sobre direitos das mulheres, enfrentamento à violência de gênero e políticas públicas de proteção, além de roda de conversa sobre autonomia, protagonismo feminino e reinserção social.
A superintendente de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da SPM, Camila Batista, ressaltou a importância do acesso à informação como instrumento de proteção e autonomia, com destaque para a Lei Maria da Penha.
“Essas mulheres vão retornar ao convívio social e precisam estar informadas sobre seus direitos. Elas merecem recomeçar com dignidade, segurança e novas oportunidades. Conhecer seus direitos e saber onde buscar proteção é fundamental para reconstruírem suas vidas com mais autonomia. O fortalecimento de políticas públicas fundamental para promover autonomia e evitar que novas situações de violência voltem a acontecer e prevenir novas situações de violência”, afirmou.
De acordo com a diretora de Integração Social da SEAP, Belisa Morais, a articulação interinstitucional é fundamental para o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres em situação de privação de liberdade.
“A iniciativa leva dignidade, acesso à informação e oportunidade de recomeçar. É importante que essas mulheres se sintam acolhidas, conheçam os espaços de cuidado, tenham acesso à educação e entendam seus direitos. Reconhecer as violências vividas é um passo essencial para romper esse ciclo. A educação também é uma forma de romper o ciclo da violência e abre caminhos para que elas reconstruam suas histórias”, destacou.
Durante as atividades, também foram promovidos momentos de acolhimento e troca de experiências com a equipe da SPM. Em uma das ações, uma técnica da secretaria fez tranças nas internas, promovendo cuidado, escuta e fortalecimento da autoestima.
Entre relatos e trocas de experiências, as internas destacaram a importância da iniciativa. Para a interna M.C.S., de 43 anos, o momento foi de aprendizado e acolhimento. “É muito bom conversar com outras mulheres, ter um grupo que se apoia é muito bom. Conversamos sobre os direitos das mulheres, sobre a violência que muitas sofrem, o medo de denunciar e até os casos de morte. Muitas vezes não entendemos porque isso acontece”, disse.
Já J.S.S., de 50 anos, destacou o impacto das ações em sua trajetória pessoal. “Para nós, mulheres, as penas são mais pesadas. Aprendi a me respeitar mais e consegui evoluir. Fiz o Encceja aqui dentro, concluí os estudos e, na próxima semana, começo a faculdade. Vou me tornar universitária, é uma vitória para mim. Cheguei sem perspectivas e aprendi a ter resiliência. Recebi incentivo para estudar e agora posso ajudar outras mulheres”, relatou.
Fonte
Ascom/SPM
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