
Uma operação da Polícia Federal (PF), realizada na manhã desta quinta-feira (12) em parceria com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), resultou no resgate de dez animais silvestres e exótico mantidos em situação de maus-tratos na Região Metropolitana de Salvador. As ações ocorreram simultaneamente em dois locais distintos, uma clínica veterinária no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, e uma propriedade no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.
As duas ações tiveram o mesmo responsável investigado e contaram com a participação de técnicos da Coordenação de Fiscalização (Cofis) e da Coordenação de Gestão de Fauna (CGFau) do Inema.
Segundo a gestora do Cetas Salvador, Marta Calasans, as condições encontradas durante as fiscalizações evidenciam práticas graves de negligência e manutenção irregular de espécies. “Identificamos situações de maus-tratos envolvendo animais exóticos, domésticos e também a criação de espécies sem qualquer documentação. Aqui em Salvador encontramos uma ave exótica em gaiola, sem água, com alimentação precária e apresentando problemas oftalmológicos graves. Além disso, havia animais domésticos em situação de maus-tratos”, relatou.
Já na operação realizada em Vera Cruz, os agentes resgataram nove animais silvestres mantidos em condições irregulares: três araras-canindé (Ara ararauna), uma arara-vermelha, um tucano, um papagaio, um caititu e dois jabutis. Semelhante ao primeiro local, Marta explica que "os animais estavam confinados em espaços pequenos sem água e comida adequada, e compartilhavam viveiros com animais domésticos".
Todos os animais resgatados foram encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Inema, em Salvador, onde passarão por avaliação veterinária, cuidados clínicos e reabilitação.
Fauna apreendida e os riscos da criação irregular
Entre as espécies resgatadas estão exemplares da arara-canindé (Ara ararauna), espécie que, embora não esteja classificada globalmente como criticamente ameaçada, enfrenta pressões significativas em algumas regiões do Brasil devido à perda de habitat e ao tráfico de animais silvestres. Em áreas do Cerrado brasileiro, por exemplo, a espécie já é considerada ameaçada.
O Inema reforça que a captura, manutenção e comercialização de animais silvestres sem autorização dos órgãos ambientais configuram crime ambiental, sujeito a sanções administrativas e penais. A população pode colaborar denunciando situações de tráfico ou maus-tratos de animais por meio dos canais oficiais dos órgãos ambientais e de segurança pública.
Fonte
Ascom/Inema
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