
O lançamento oficial do Campeonato Baiano de Futebol 2026, realizado na tarde desta quarta-feira (17), no Cineteatro 2 de Julho, em Salvador, marcou mais do que o início de uma nova edição da principal competição do futebol da Bahia. Em um ano, quando se completam 20 anos da Lei Maria da Penha, o Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado (SPM), juntamente com os dez clubes que disputarão o Baianão 2026 e a Federação Baiana de Futebol (FBF), uniu forças para a realização de uma ampla campanha de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Durante o evento, a secretária de Políticas para as Mulheres do Estado, Neusa Cadore, assinou, ao lado dos representantes dos dez clubes, da Federação Baiana de Futebol, da Defensoria Pública-Geral do Estado e do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb) , responsável pela transmissão dos jogos, a carta de adesão dos clubes baianos ao Pacto pelo Feminicídio Zero e Prevenção à Violência contra as Mulheres.
A iniciativa tem como objetivo prevenir todas as formas de violência baseada em gênero, utilizando o alcance social do esporte como ferramenta de conscientização e transformação cultural.
Ao destacar o simbolismo do momento, a secretária Neusa Cadore ressaltou o papel do futebol na mobilização social. “Hoje esse momento é uma celebração e o campeonato começa bem, colocando a bola na frente do gol para fazermos um golaço contra o feminicídio. Essa foi uma iniciativa do governador Jerônimo Rodrigues, que convidou os clubes e foi prontamente atendido. Essa luta não é só das mulheres. Precisamos enfrentar a naturalização da violência e agir em nome de todas as mulheres que perdemos. Esse pacto é um compromisso coletivo contra o feminicídio”, afirmou.
O vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior, reforçou que o enfrentamento à violência contra as mulheres deve estar integrado às políticas públicas de cidadania, cultura e paz. “O esporte e o futebol têm um papel fundamental nesse processo. Tenho certeza de que essa campanha será exemplo para todo o Brasil. Vamos levar o Feminicídio Zero aos 417 municípios e aos 27 territórios de identidade, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues e do Governo Federal”, declarou.
O diretor-geral do Irdeb, Flávio Gonçalves, enfatizou a união inédita entre clubes, federação e instituições públicas em defesa das mulheres. “A Bahia dá um exemplo ao reunir os dez times do Campeonato Baiano, a federação e as entidades de defesa das mulheres em um grande pacto contra o feminicídio. A partir de 10 de janeiro, com a transmissão das 48 partidas até a final, em 8 de março, levaremos essa mensagem para toda a Bahia, para o Brasil e para o mundo”, destacou.
Representando os clubes, Mayara Correia, vice-presidente da Associação Desportiva Bahia de Feira, reforçou a importância da campanha para enfrentar o machismo no futebol. “O futebol ainda é um espaço muito machista, mas essa campanha pode ajudar a mudar mentalidades. O futebol precisa ser um espaço onde as mulheres sejam respeitadas, ouvidas e seguras. A violência contra as mulheres precisa parar. Essa iniciativa é fundamental para romper com uma cultura que ainda exclui e violenta. Vamos trabalhar para que essa mensagem chegue ao maior número de pessoas possível”, afirmou.
O presidente da Federação Baiana de Futebol, Ricardo Lima, destacou a parceria com a SPM como essencial para garantir um futebol mais seguro e comprometido com a justiça social. “São pautas transversais e urgentes. Não podemos mais conviver com uma realidade tão cruel. O futebol precisa acontecer de maneira segura, com respeito às mulheres”, pontuou.
O lançamento do Baianão 2026 reuniu dirigentes de clubes, atletas e autoridades das áreas da segurança pública, justiça, Ministério Público, esporte e integrantes da Rede de Proteção às Mulheres. A TVE, emissora oficial do campeonato, em parceria com a FBF, fará a transmissão de todas as partidas pela TV aberta e internet (Youtube), levando o futebol baiano para todo o país.
A ação integra um conjunto de medidas estruturantes do Governo da Bahia. Em novembro de 2024, o estado aderiu ao Pacto Nacional pelo Feminicídio Zero, criado pelo Ministério das Mulheres. Já em março de 2025, foi instituído o Comitê Permanente Interinstitucional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e Prevenção ao Feminicídio, alinhado às diretrizes da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.
Fonte: Ascom/SPM
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